Comunicado do Bastonário | Notícia do Jornal "I"

Comunicado do Bastonário | Notícia do Jornal "I"

Exmº (ª) Colega

 

Foram os Advogados portugueses hoje confrontados com um título de primeira página no jornal “I” que sob o título Prostituição, cita a Juventude Socialista com o seguinte: “Qual a diferença entre o prostituto e um advogado?”

 

No interior, fica a saber-se, em primeiro lugar, que o entrevistado e autor da pergunta é Ivan Gonçalves, Secretário-Geral da Juventude Socialista, e, em segundo lugar, que a pergunta é mais ampla: “Mas qual é a diferença entre um prostituto e um advogado, um ator ou um massagista?”

 

A referida pergunta contém implícita uma declaração valorativa, a saber: não há diferença nenhuma quanto a essas atividades.

 

Claro que muitos se questionaram sobre não ter sido feita a comparação, nomeadamente, com os secretários gerais e presidentes dos partidos, os deputados, os membros do governo.

 

A afirmação-questionamento não é neutra. A jornalista e o Jornal “I” entenderam também tomar partido na comparação reduzindo-a através do título, quer na primeira página, quer na página 5, a “qual é a diferença entre um prostituto e um advogado?”.

 

O Secretário-Geral da Juventude do Partido Socialista, ao fazer aquela comparação, colocou em causa o respeito e a honra que lhe deve merecer a função de advogado, não quanto ao pressuposto de ser uma profissão legalizada, mas uma função com reconhecimento social constitucionalmente consagrada. Igualmente, e com intensidade, porventura maior, a escolha que a jornalista e o jornal fizeram, ao reduzirem por sua própria iniciativa a referida comparação ao advogado, avilta a dignidade da profissão.

 

Embora a opção dos termos de comparação não seja ideológica e axiologicamente neutra, a inquirição levanta outro tipo de problemas, que não cabe aqui desenvolver.

 

Em todo o caso, a discussão ínsita naquela peça jornalística não permite, contudo, que o mencionado jovem político, com responsabilidades institucionais, e o jornal e/ou jornalista subscritora do artigo, ponham em causa a dignidade da profissão de advogado, não sendo, também, possível ignorar a perceção do leitor da referida afirmação-questionamento e da sua restritiva e perniciosa utilização para título.

 

Por último, a Ordem dos Advogados Portugueses ponderará dos procedimentos judiciais necessários e adequados à responsabilidade do entrevistado, do jornal e da jornalista.

 

Guilherme Figueiredo

Bastonário

Lisboa, 15 de Maio de 2018

21/08/2018 22:11:34