Imigrantes pedem visto ja para quem trabalha ter papéis

Imigrantes pedem visto ja para quem trabalha ter papéis

Protesto. Centenas de estrangeiros concentraram-se em frente ao Parlamento. Reuniram-se com deputados de BE, PS e PCP, que se mostraram sensibilizados. Eles querem medidas urgentes
CÉU NEVES

Jatwinder Singh está em Portugal vai fazer cinco anos e trabalha numa panificadora há dois. É efetivo, está inscrito nas Finanças, também na Segurança Social, paga impostos. Mas corre o risco de expulsão porque não tem autorização de residência. O que não consegue fazer compreender aos vizinhos portugueses e colegas de trabalho.

"Não compreendem, mas esta é a realidade."

Realidade que levou centenas de imigrantes, da Área Metropolitana de Lisboa, mas também do Alentejo e do Algarve, a concentrarem-se ontem em frente ao Parlamento exigindo: "Direitos iguais/ documentos para todos"; "Autorização de residência/utente do SNS para todos"; "Precisam de imigrantes ?????? Estarmos aqui, ninguém é ilegal"; "Reagrupamento familiar"; "Não somos criminosos, queremos direitos, expulsão não!" Algumas das palavras de ordem, escritas em português, mas tambémnaslínguas das comunidades.

Concentração iniciada as 10.00 e que terminou às 16.00, depois de aprovarem uma resolução para apresentar aos partidos, ao governo, ao Presidente da República e ao provedor de Justiça, juntamente com um pedido de audiência. Pedem que seja atribuído um visto a quem trabalha para poder obter uma autorização de residência.

Querem que sejam anuladas as normas criadas pela anterior direção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e que, segundo Timóteo Macedo, presidente da Solidariedade Imigrante, colocou "mais de 30 milestrangeiro nas mais difíceis condições de vida e de trabalho".

A associação foi uma das promotoras da ação, num total de 26.

Resolução aprovada depois de encontros de uma delegação de 15 pessoas com deputados do BE, do PS e do PCP, os partidos que aceitaram reunir-se. Explicaram-lhes que os imigrantes que trabalham não têm acesso aumaautorização de residência pornão terem um visto de entrada legal em Portugal.

Trabalho e família não é garantia Jatwinder tirou uma folga para viajar de Rio Maior, onde vive e trabalha na Panificadora Costa & Ferreira, até Lisboa. É natural da índia e, numa primeira fase, emigrou para França.

"Não correu bem e acabei por vir para Portugal. Gosto do que faço, o meu patrão gosta do meu trabalho, mas o meu pedido de residência veio indeferido. Dizem que não tenho; um visto de entrada legal, mas tudo o que eu tenho está aqui. Quero ficar!"

Loly Diop, 30 anos, do Senegal, é uma mulher em protesto, numa ação em que predominam os homens e os naturais da Ásia, o que corresponde aum dos principais fluxos migratórios no país. "A minha mãe vive em Portugal, em Rio de Mouro,eeu vim há20 meses ao abrigo do reagrupamento familiar. Negaram-me dizendo que não tinha idade, mas as associações dizem que tenho direito. A minha mãe estava mal informada e eu não sei português. Recorri. Foi em outubro e ainda não responderam."

Exemplos de quem tem chegado a Portugal nos últimos anos. Vidas contadas aos deputados da geringonça. "As perspetivas são boas, os grupos parlamentares mostraramse sensibilizados para as nossas reivindicações, mas os partidos não são o governo. Precisamos de medidas", sublinhaTimóteo Macedo.

Susana Amador, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, comprometeu-se "avaliar junto do governo, e em sede de alteração regulamentar, se as preocupações poderão ser acomodadas". A oportunidade está em cima da mesa, diz o dirigente associativo. Está em discussão o decreto para alterações à lei de estrangeiros, documento ontem discutido no Conselho para as Migrações. Macedo é um dos conselheiros e vai incluir a resolução nas suas propostas.

21/08/2018 22:11:06