"Tenho um embrião com cinco dias. Vai ser destruído?

"Tenho um embrião com cinco dias. Vai ser destruído?

Parlamento. Concentração na sexta-feira em São Bento para pedir clarificação da lei

Márcia Santana tenta há três anos ser mãe com recurso a um doador de esperma Fez duas inseminações em Espanha, que não resultaram. Festejou quando viu aprovada a lei que permite às mulheres solteiras recorrerem à procriação medicamente assistida (PMA). Iniciou então um novo processo em Portugal e um dos três óvulos foi fecundado. Esse embrião está congelado à espera do próximo passo: ser implantado no útero de Márcia. Com a decisão do Tribunal Constitucional (TC), todo o processo está suspenso. E Márcia está revoltada.

"Tenho um embrião com cinco dias que resultou da inseminação de um óvulo meu. O que é que vai acontecer? Vai ser destruído? O que dizem, agora, as pessoas que são contra o aborto?" Perguntas para as quais Márcia Santana, 35 anos, professora, não tem resposta.

A decisão dos juizes acabou por afetar as pessoas que já tinham iniciado tratamentos com recurso a um doador anónimo, ao contrário do que aconteceu nos casos das barrigas de aluguer-aqui o TC"protegeu" os processos já iniciados.

Perante a incerteza sobre o anonimato dos doadores, a clínica onde Márcia Santana está a ser acompanhada acha mais prudente esperar por uma "clarificação da lei". Até porque, neste caso específico, não há hipótese de contactar o doador para saber se ele aceita quebrar o anonimato.

"Faz mais sentido que o doador seja anónimo, não só para proteger a família de quem vai receber a doação como a de quem doa. É importante serem conhecidos os dados clínicos, mas essa informação já está preservada. A criança vai identificar-se com quem a cria."

Esta é a posição de Márcia Santana, que acredita que não está sozinha. A criadora do blogue PMA para todas 2016 promoveu uma concentração "para a clarificação da PMA" sexta-feira, às 19.00, em frente ao Parlamento.

Márcia era casada com outra mulher quando fez os tratamentos em Espanha. Separou-se, mas ser mãe é um projeto. Também se inscreveu para adotar. "Vou fazer tudo para engravidar. Se não puder em Portugal, volto a Espanha. É um custo emocional e financeiro muito grande, desde 2015 que ando atentar. Só em medicamentos são 500 euros, juntam-se as consultas e procedimentos, mais as viagens e o alojamento." C.N.

28/05/2018 10:59:18