Falta de apoio inibe mulheres de se queixarem

Falta de apoio inibe mulheres de se queixarem

Violência na intimidade é encarada como assunto privado

Profissionais que trabalham com vítimas de violência sexual reconhecem que não têm formação específica na área e mais de 50% afirmam que "a intervenção levada a cabo pelas instituições onde trabalham não é eficaz". Cerca de 70% consideram que não dispõem de recursos humanos adequados e 80% acreditam não ter recursos materiais apropriados. Os dados constam de um estudo que envolveu 1072 profissionais das áreas da justiça, saúde, administração interna, educação e segurança social, intitulado "Crenças e atitudes dos/as profissionais quanto à violência sexual nas relações de intimidade", realizado pelo Instituto Universitário da Maia e promovido pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Descrevem o sistema público como "desumanizado e inoperante, que não garante a proteção das vítimas e que é este o motivo pelo qual muitas vítimas não apresentam queixa". Segundo o estudo, 90% das vítimas, em casais heterossexuais, são mulheres e nos casais homossexuais, os gays são mais violentos do que as lésbicas. As pessoas inquiridas consideram que a violência sexual na intimidade é tratada como "um assunto do foro privado". As formas mais comuns são a violação, o assédio sexual e a divulgação online de conteúdos sexuais, mais recorrente entre os jovens. 80% dos profissionais afirmam que a violência sexual entre parceiros é menos denunciada do que a praticada por estranhos e 9% acreditam que há mulheres que mentem quando denunciam.

Mais de 5% dizem que a vítima provoca o agressor. As profissionais de saúde com formação específica são as mais bem informadas sobre otema. Kjs.

17/11/2018 23:30:27