Greve no SEF regista adesão entre 9% e 80%

FUNÇÃO PÚBLICA

Greve no SEF regista adesão entre 9% e 80%

Até sexta-feira, os funcionários que controlam os documentos dos cidadãos que entram no país estão em greve. Números de adesão do sindicato são oito vezes mais altos do que os da entidade patronal.

O primeiro dia de greve dos funcionários administrativos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ficou marcado, como é habitual nestas situações, por números de adesão muito díspares. Os 80% avançados pela estrutura sindical foram reduzidos a 10% pelo SEF.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o gabinete de comunicação do SEF indica que no primeiro dia de greve aderiram ao protesto 55 dos 606 funcionários da carreira não policial (9,08%).

Estes números estão muito abaixo dos dados provisórios apresentados anteriormente pela presidente do Sindicato dos Funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SinSEF), Manuela Niza, que apontavam para uma adesão a rondar os 80%.

Estes funcionários, que são responsáveis pela análise documental, "têm uma enorme responsabilidade, mas o salário médio líquido são 600 euros. Podiam ir para o centro de saúde tirar senhas para distribuir pelos utentes porque iriam ganhar exactamente o mesmo", descreveu a sindicalista. Estes trabalhadores pedem, "há mais de quatro anos", um estatuto próprio e a integração na lei orgânica, afirmou a presidente do SinSEF, lembrando que a carreira especial que tinham foi abolida em 2008 e desde então passaram a integrar a carreira geral.

Segundo os dados divulgados agora pelo SEF, dos 37 postos de atendimento disponíveis ao público a nível nacional, "27 encontram-se abertos ao público, tendo 10 encerrado devido à greve".

Já nos serviços centrais do SEF não houve registo de funcionários em greve, acrescenta o gabinete de imprensa.

Parte dos serviços foram também afectada pelo facto de haver muitos funcionários de férias neste período do ano.

Registos e notariado também em greve

Também ontem arrancou uma greve dos trabalhadores dos Registos e Notariado, registando "uma adesão de 90%", segundo o sindicato do sector. A paralisação é motivada aspectos da revisão da legislação laborai proposta pelo Governo e por um "défice de 1.500 trabalhadores". "O descontentamento dos trabalhadores é enorme e isso reflecte-se na adesão a esta greve, que até este momento é de 90% do universo total dos trabalhadores", disse no Porto aos jornalistas o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN), Arménio Maximino.

Ambas as greves prolongam-se até sexta-feira ¦ lusa

20/05/2019 06:08:46