Três polícias turcos apontados como prováveis responsáveis pela morte de advogado curdo em 2015

Três polícias turcos apontados como prováveis responsáveis pela morte de advogado curdo em 2015


A Ordem de Advogados de Diyarbakir (leste da Turquia) responsabilizou hoje três polícias pela morte do célebre advogado curdo Tahir Elçi em novembro de 2015, ao basear-se numa nova reconstituição dos factos.



“Atualmente, e após este relatório, três oficiais de polícia são fortemente suspeitos pelo crime”, declarou à agência noticiosa AFP Cihan Aydin, presidente da Ordem de Diyarbakir.

“Aguardamos que estes polícias sejam incluídos no dossiê na qualidade de suspeitos (...) e caso as provas sejam suficientes, que sejam presos”, acrescentou.

Tahir Elçi, à época bastonário da Ordem de Advogados de Diyarbakir, a principal cidade do sudeste da Turquia de maioria curda, foi morto em 28 de novembro de 2015 com uma bala na cabeça durante um tiroteio entre a polícia e homens armados referidos pelas autoridades como membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

O advogado acabava de terminar uma conferência de imprensa na qual tinha apelado ao fim dos combates no sudeste do país.

O Governo acusou de imediato o PKK, uma organização considerada “terrorista” por Ancara, mas até ao momento não foi emitida qualquer ação judicial.

Em 2016, a Ordem dos Advogados de Diyarbakir apelou à agência britânica Forensic Architecture, que produz designadamente análises para grupos de defesa dos direitos humanos e procuradores internacionais.

As conclusões da agência foram apresentadas hoje durante uma conferência de imprensa em Diyarbakir, com um vídeo de 20 minutos em três dimensões que reconstitui o desenrolar dos factos durante a morte de Tahir Elçi, e realizado com a ajuda de câmaras de videovigilância e imagens registadas por jornalistas e por um polícia no local.

As imagens mostram que foram efetuados 40 disparos por polícias e dois membros do PKK que se encontravam nas proximidades, mas também perto do local onde Tahir Elçi foi morto.

“Neste momento, o inquérito levou-nos a concluir que os militantes do PKK não podem ter efetuado os disparos que mataram Elçi, e não existem provas que tenha sido morto por uma arma de longo alcance”, sublinha a Forensic Architecture no relatório hoje divulgado.

“Este processo por exclusão sugere que um dos polícias que disparou durante o incidente pode ter estado na origem do golpe fatal”, prossegue o relatório, que isola três polícias visíveis nas imagens.

A morte violenta deste defensor da causa curda suscitou uma onda de choque um país ensanguentado pelo reinício dos combates entre as forças de segurança e membros do PKK após o fim abrupto de negociações de paz, num conflito quem desde 1984 já provocou mais de 40.000 mortos.

24/04/2019 23:06:38