Créditos ruinosos custaram mais de 1300 milhões à Caixa

Créditos ruinosos custaram mais de 1300 milhões à Caixa

Banco de Portugal revelou lista de grandes devedores da Banca. Novo Banco é a instituição com mais exposição. CGD perde 500 milhões só com um cliente

Banca O Banco de Portugal revelou uma lista com os grandes devedores dos bancos portugueses. A Caixa Geral de Depósitos (CGD), que recebeu 6250 milhões de euros dos contribuintes entre 2007 e 2017, perdeu mais de 1300 milhões com créditos ruinosos.

A exposição da CGD totalizava, a 30 de junho de 2017,2,8 mil milhões de euros. Deste montante, 1,7 mil milhões dizem respeito a crédito e 1,2 mil milhões a participações em instrumentos de capital.

Face às dívidas, a CGD constituiu imparidades totais de 1,7 mil milhões de euros, a maior parte relativa à concessão de crédito.

As perdas efetivas do banco estatal, que recebeu fundos públicos por seis ocasiões, totalizam 1,9 mil milhões de euros. Deste montante, 1334 milhões de euros dizem respeito a perdas com créditos ruinosos.

À data de referência, a CGD contava com, pelo menos, 16 grandes devedores de crédito. O maior de todos tinha uma exposição original de 832 milhões de euros e resultou em perdas efetivas de 542 milhões de euros para a Caixa.

AJUDAS DE 24 MIL MILHÕES

Contando com o BES, foram oito os bancos que forneceram os dados ao Banco de Portugal, visto terem sido alvo de ajudas públicas nos últimos 12 anos. No total, estes bancos receberam 23,8 mil milhões de euros do Estado.

O Novo Banco é o mais exposto. A 3 0 de junho de 2018 acumulava uma exposição de 4,6 mil milhões de euros.

Em resultado, o banco constituiu imparidades de 2,4 mil milhões. As perdas efetivas, ou de muito difícil recuperação, ascendiam a 3,5 mil milhões de euros.

Entre os maiores perdedores está o BCP, que recebeu uma ajuda de três mil milhões de euros em 2012. A 30 de junho desse ano, o Millennium BCP tinha uma exposição total de 2,8 mil milhões. No total, perdeu dois mil milhões. Entretanto, o valor que o BCP pediu emprestado ao Estado já foi totalmente reembolsado.

O mesmo acontece com o BPI, que recebeu uma ajuda de 1500 milhões de euros em 2012. O banco registou perdas totais de 508 milhões de euros. A maior parte deste montante diz respeito a perdas com títulos de dívida grega.

Entre os bancos expostos conta-se ainda o Banif, que entre 2013 e 2014 recebeu do Estado 3355 milhões de euros. Em junho de 2015 tinha uma exposição de 155 milhões a devedores de crédito, não tendo reportado quaisquer perdas devido à venda ao Santander.

O extinto BPN, que recebeu quase cinco mil milhões de euros em ajudas, tinha no final de 2012 uma exposição de 3513 milhões aos grandes devedores. As perdas admitidas são de 11 milhões de euros. O também extinto BPP recebeu do Estado 450 milhões de euros em 2010 e não reportou perdas. Tinha uma exposição de 17 milhões aos grandes devedores.

Governo pede à CGD gestão de risco adequada

A Carta Missão do Governo para a CGD, ontem publicada no site da instituição, recomenda "uma gestão de risco adequada", o apoio à economia e uma rede de serviços abrangente e de "elevada qualidade". É a primeira Carta Missão dos últimos seis anos, tendo sido aprovada pelo acionista Estado em maio, mas só agora divulgada.

24/08/2019 10:53:23