Uma vitória para a Europa e Portugal?

Uma vitória para a Europa E Portugal?

Paulo Mota Pinto

A eleição da nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, merece ser saudada como uma vitória para a União Europeia: no plano institucional, permitiu ultrapassar mediante negociação um ameaçador impasse, e mostrou que as instituições e os métodos de formação de vontade política europeus funcionam; no plano político, foi uma reafirmação dos melhores valores europeus, tais como moderação e defesa do Estado de direito e das liberdades.

A nova presidente da Comissão Europeia fez um discurso em que reafirmou esses valores, e a intenção de tornar a Europa liderante também nas questões ambientais e climáticas. Perante ameaças externas e desafios como o Brexit, o seu mandato tem condições para reforçar as razões pelas quais o espaço europeu é ainda modelo para muitos outros países, o espaço onde se consegue conciliar melhor bem-estar, liberdade e oportunidades de desenvolvimento da personalidade para todos.

È quanto a Portugal? Apesar da tentativa tardia do Governo português de se juntar à solução encontrada, no plano político esta vitória perante tentativas de negociar alternativas sem o Partido Popular Europeu foi também, como é sabido, uma derrota para a posição defendida pelo nosso primeiro-ministro.

E foi também uma derrota no plano político substancial: a vitória, na solução encontrada, da convergência entre populares, liberais e socialistas e democratas é justamente o contrário da solução em que se tem apoiado, e que tem limitado o Governo em Portugal.

A natureza geograficamente periférica do nosso país não o deve impedir de continuar, como até aqui, na vanguarda da integração europeia. E isso faz-se com forças políticas que defendam as políticas e os valores da Europa, e não com alianças com aqueles que os combatem. Tal como é a convergência económica com os restantes países europeus que nós permitirá, não só ter mais peso é voz política na Europa,, como melhorar os níveis de bem- -estar e de felicidade dos portugueses.

É essa ambição da convergência - em comparação com países que a vão conseguindo, como a Irlanda ou Espanha - que tem faltado à atual solução governativa, mas que não nos pode faltar.

22/08/2019 05:38:51