Há dez anos que a abstenção não sai da casa dos 40%

Há dez anos que a abstenção não sai da casa dos 40%

Especialista prevê que não ocorram alterações relevantes na afluência às umas nas legislativas

Eleições Desde 2009 que a taxa de abstenção não sai da casa dos 40%, muito longe dos 16,06% das legislativas mais participadas na história da democracia, as de 1980, em que venceu a AD de Francisco Sá Carneiro.

Dentro de um mês, a tendência deverá manter-se, crê José Adelino Maltez, curioso por saber como se vai comportar o eleitorado típico do PSD: se ficará em casa, mudará de sentido de voto ou tentará salvar o partido.

"Começa a surgir a ideia de que podem entrar novos partidos. Já não se desperdiçará tanto o voto", repara o investigador de Ciência Política. Adelino Maltez acredita, contudo, que esses novos partidos com possibilidade de terem assento no Parlamento não têm "força suficiente" para acabar com a ideia de que são sempre os mesmos a governar o país.

"Não me parece que [o entusiasmo pelos novos partidos] seja suficiente para mobilizar o eleitorado além do que aconteceu em 2015", considera o politólogo. Há quatro anos, a abstenção ficou-se nos 44,14%, superior aos 41,93% das legislativas de 2011, aos 40,26% das eleições de 2009 e a léguas luz dos 16,06% das legislativas de 5 de outubro de 1980.

Este ano, fruto do recenseamento eleitoral automático no estrangeiro - que fez disparar em mais de um milhão o número de eleitores, bastando para o efeito ter cartão de cidadão -a abstenção poderá ser superior.

ELEITORES DO PSD

Adelino Maltez acredita, contudo, que não haverá alterações significativas. "Há uma série de fatores que me impedem de fazer uma previsão segura. Creio que vai haver uma manutenção da abstenção", antevê.

"Depende muito da reação do eleitorado tradicional do PSD", aponta o especialista em Ciência Política, considerando ser esse o fator principal no que respeita à taxa de abstenção. "Vai ser curioso ver se o eleitorado do PSD vai passar o seu voto para outro partido ou se fica em casa. Essa é que é a grande incógnita das legislativas", defende Maltez.

Por outro lado, tem curiosidade em ver se os eleitores "laranja" conseguirão resistir aos apelos que se vão multiplicar para que não deixem o partido desaparecer. "Vão surgir apelos de todos os antigos líderes. Não me admiraria ver o próprio Passos Coelho a ter que fazer isso", prevê.

OS ABSTENCIONISTAS

Acresce que, "cada vez mais, a abstenção é um problema consciente". "As pessoas dizem que não vão votar porque não querem", refere Maltez, apontando outro tipo de abstencionista. "O que, no dia das eleições, diz que finalmente vai ganhar se a abstenção for o maior partido", conclui. HERMANA CRUZ

PORMENORES

10 milhões de eleitores

Nas legislativas de 6 de outubro são mais 1128 883 os cidadãos com direito a voto face às eleições de há quatro anos. Segundo o mapa oficial, publicado em "Diário da República" de 12 de agosto passado, podem votar 10 8811436 eleitores, distribuídos por 22 círculos eleitorais.

Deputados a eleger

Lisboa e Porto são os círculos que elegem mais deputados. De um total de 230 lugares, a capital fica com 48 e o Porto 40, "roubados" à Guarda e Viseu. A Madeira vale seis deputados, os Açores cinco. Cada um dos dois círculos da emigração tem dois lugares.

20/09/2019 02:21:56