Edward Snowden ''As pessoas estão a ser manipuladas'' ''PODEMOS PROTEGER-NOS''

Edward Snowden "As pessoas estão a ser manipuladas"

"Não são os dados que estão a ser explorados, são as pessoas"

Edward Snowden, delator do esquema de vigilância global da CIA, inaugurou a Web Summit a partir da Rússia

Tecnologia "Os dados não são inofensivos, não são abstratos, quando se fala de pessoas. Não são os dados que estão a ser explorados, são as pessoas", garantiu Edward Snowden, a voz que denunciou o esquema de vigilância de larga escala, desenvolvido pela CIA e NSA, e que ontem inaugurou a 4.a edição da Web Summit, a decorrer no Parque das Nações, em Lisboa, até quinta- -feira.

Numa conversa com James Bali, do Bureau of Investigative Journalism, Snowden recordou as motivações que o levaram a denunciar as entidades do próprio país, em 2013. "Imagine que trabalha na CIA, segue as regras sempre. Eu era um totó, nunca fumei um charro, era um chato. A minha família tinha trabalhado para o Governo e eu ia fazer o mesmo". Até ao dia em que Snowden precisou de contar a "verdade ao Mundo". "Imaginem que descobriam que tudo o que a sua agência fazia, que todos os vossos colegas faziam, ia contra aquilo que estava no juramento".

"Para mim, a resposta era clara. Acredito que o público tem direito a saber a verdade. Estavam a vigiar as pessoas já num sentido de prospeção, era aquilo a que chamei a vigilância permanente. Faziam isto de qualquer forma, mesmo que as pessoas não tivessem feito nada e ninguém com poder fazia alguma coisa, porque podia ser proveitoso".

O desfecho é conhecido: desde que entregou documentos confidenciais a jornalistas, Edward Snowden é procurado pela administração norte-americana.

Pouco depois de denunciar as práticas da NSA e da CIA, recebeu asilo político na Rússia.
"PODEMOS PROTEGER-NOS"

Sobre o momento que o mundo tecnológico atravessa, Snowden é claro. "O modelo de negócio é o abuso", diz sobre empresas como a Google, Amazon ou Facebook. Em conversas anteriores, nomeadamente nas entrevistas que tem dado para promover o livro de memórias "Vigilância permanente", Snowden já tinha apontado o dedo às "big tech". "Esta geração já não é dona de nada, usamos os serviços e isso cria um registo permanente", explica, sugerindo: "Nós podemos proteger-nos". •

12/11/2019 01:30:10