Namoro: 60% dos jovens já sofreram pelo menos um acto de violência

Insultos durante discussões e proibição de estar ou falar com amigos estão entre os indicadores de vitimação mais frequentes, aponta o Estudo Nacional sobre Violência no Namoro.

Daniel Dias 

14 de Fevereiro de 2020, 10:42

De acordo com um inquérito nacional, 67% dos jovens legitimam pelo menos um tipo de comportamento de violência num relacionamento amoroso. A mesma percentagem que já se verificava em 2019, segundo o Estudo Nacional sobre Violência no Namoro, conduzido pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e apresentado esta sexta-feira, 14 de Fevereiro, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

O estudo realizado pela organização não-governamental contou com uma amostra de cerca de 4600 jovens (56% raparigas e 43% rapazes). Dois terços dos inquiridos já estiveram em pelo menos uma relação de namoro e quase 60% destes reportaram terem sofrido pelo menos um comportamento de violência.

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Insultos durante discussões (30%), proibir o companheiro de estar ou falar com amigos (23%) e incomodar ou procurar insistentemente o parceiro (17%) estão entre os indicadores de vitimação mais frequentes.

8% dos jovens inquiridos que já tiveram uma relação amorosa foram vítimas de violência sexual e pressionar para beijar está entre os comportamentos mais comuns. Esta é uma percentagem “preocupante, considerando a média de idades de 15 anos” da amostra, refere Cátia Pontedeira, da equipa de investigação da UMAR.

Jovens mulheres reportam diferentes situações de violência mais frequentemente do que os rapazes. 22% das inquiridas já referiram ter sofrido violência psicológica, menos 6% do que os rapazes na mesma posição. No controlo também se verifica esta tendência (15% de raparigas e 11% de rapazes).

“A violência mais prevalente é a que não deixa marcas”, assinala a UMAR, em relação à prevalência da violência psicológica, em termos de legitimação e de indicadores de vitimação. "A elevada prevalência de algumas das formas de violência estudadas, bem como o não reconhecimento destas formas de violência na intimidade, revelam uma realidade preocupante em Portugal e mostram que ainda há um longo percurso a fazer ao nível da consciencialização desta problemática”, aponta a UMAR.

Participam do estudo anual alunos de turmas do 7.° ao 12.° anos de escolaridade. As escolas seleccionadas para participar do questionário são escolhidas aleatoriamente pela UMAR anualmente. Isto porque a organização pretende sempre ter “uma amostra representativa”.

 

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