Estado de guerra

O número de vítimas mortais da Covid-19 em dez meses vai ultrapassar o número de mortes ocorridas nos treze anos que durou a guerra colonial. O país assiste perplexo a filas de ambulâncias, com doentes a morrerem antes de serem internados, estando a ser criados hospitais de campanha, uma vez que os existentes não são suficientes. Estamos perante um cenário de guerra, com a agravante de ser uma guerra contra um inimigo invisível e traiçoeiro, que pode atacar a qualquer momento. Não há nada mais insidioso do que um vírus à procura do seu hospedeiro.

Por esse motivo nunca o país poderia ter adotado um discurso otimista perante a anunciada catástrofe (“vai ficar tudo bem”), e muito menos ter aligeirado as restrições no período de Natal. Parece que se quis imitar a trégua da I Guerra Mundial, em que os soldados franceses e alemães pararam de combater no Natal de 1914, fazendo celebrações em conjunto. Só que este vírus não concede tréguas na sua guerra e as celebrações do Natal levaram a que fôssemos derrotados por ele. Agora é preciso recomeçar de novo, voltar a confinar e aumentar já o ritmo de vacinação. A catástrofe que atinge o nosso país tem de ser rapidamente debelada.

 

Luís Menezes Leitão, Bastonário da Ordem dos Advogados

02/03/2021 23:15:11