Falta de vacinas

Ontem, Bill Gates referiu numa entrevista que “assim que haja vacinas em quantidade suficiente, levará talvez 18 meses a acabar com esta tragédia”. Se este prazo já é gigantesco, havendo vacinas suficientes, o que será perante a escassez das mesmas? E essa escassez é evidente, sabendo-se que o país deveria ter recebido 4,4 milhões de doses neste primeiro trimestre, mas afinal só vai receber 1,98 milhões, menos de metade. Para o Primeiro-ministro trata-se de um problema situado “a montante”, “fora de Portugal”, já que o país tem recursos humanos e meios de distribuição para vacinar toda a população. O que não tem são vacinas. Sabe-se que esta escassez de vacinas resulta de as farmacêuticas não estarem a fazer as entregas ao ritmo acordado com a Comissão Europeia, uma vez que o nosso país recebe as vacinas por esta via. Estranha-se, no entanto, que os responsáveis europeus e nacionais sobre este processo não prestem mais explicações sobre a produção das vacinas e os meios para ultrapassar a sua actual escassez. Chegar ao Verão com 70% da população vacinada parece neste momento um objectivo distante. A este ritmo de vacinação, 2021 corre o risco de ser um ano perdido como foi 2020.

 

Luís Menezes Leitão, Bastonário da Ordem dos Advogados

05/03/2021 04:46:48