Primeiros trabalhadores migrantes podem chegar esta quarta-feira ao Zmar - Renascença

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Os primeiros 50 trabalhadores agrícolas de Odemira que vão ser realojados temporariamente na estância turística Zmar podem chegar esta noite ao local, segundo apurou a Renascença.

A informação terá sido prestada a representantes dos trabalhadores e proprietários da Zmar que estavam concentrados à entrada da estância, esta quarta-feira, por um elemento da GNR que chegou ao local por volta das 18h.

Os trabalhadores do empreendimento turístico estavam a fazer uma manifestação contra a vinda dos imigrantes. Os trabalhadores dizem que a empresa, que já não se encontra insolvente, poderia ter aberto há uma semana e temem que a chegada dos trabalhadores agrícolas possa dissuadir turistas, levando à falência do projeto e consequente perda de emprego.

O primeiro lote de 50 trabalhadores inclui residentes de 22 habitações que foram identificadas como tendo más condições de habitabilidade e que testaram negativo à Covid-19, tendo agora de permanecer em quarentena.

Esta quarta-feira o local foi visitado também pelo Conselho de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados (CDHOA), que reuniu com o presidente da Câmara de Odemira e depois visitou as residências dos imigrantes na freguesia de São Teotónio.

Márcia Martinho da Rosa, do CDHOA mostrou-se chocada com o que encontrou e prometeu o apoio possível da organização. “Damos o total apoio, quer jurídica, quer habitacional, em termos humanos as pessoas não podem viver nesta situação, é bastante degradante.”

Remetendo futuras explicações para um relatório a publicar posteriormente, a advogada diz, contudo, que "tem de haver mais fiscalização, o SEF tem de atuar mais e estamos aqui para ajudar, dentro das nossas competências, que são muito poucas, mas estamos para ajudar no que for necessário”.

Já o presidente da Junta de Freguesia de São Teotónio, Dário Guerreiro, diz que a cerca sanitária podia ter sido evitada se as medidas fossem tomadas mais cedo. Neste momento há 38 casos ativos hoje, quando há uma semana eram 88.

“Primeiro temos de tratar da saúde pública, de alguma forma encontrar formas de controlar o aumento de casos”, diz.

“Acredito que isso não acontecerá porque esta situação servirá de exemplo para prevenir situações semelhantes no futuro. Tenho visto e reparado que as entidades responsáveis nestas matérias estão finalmente abertas e com muita vontade de resolver rapidamente a situação, ainda que a rapidez seja às vezes inimiga da perfeição”, conclui Dário Guerreiro.

A região de Odemira é marcada por grande exploração agrícola. O Parque Natural da Costa Vicentina e Sudoesta algarvio tem dentro um perímetro de rega que tem cerca de 12 mil hectares no total e 1500 hectares, ou 12%, são ocupados por estufas.

E tudo indica que o negócio e o território ocupado por essa exploração aumente ainda mais. Uma resolução do Conselho de Ministros de Outubro de 2019 determina que esta capacidade de ocupação por estufas, estufins e túneis, pode ir até aos 40%, ou seja, até aos 4800 hectares.

18/06/2021 21:33:33