Onde estava no 11/09? Menezes Leitão

“Pouco mais se conseguiu trabalhar” 

Nesse dia tinha uma reunião à tarde no Centro de Estudos Judiciários (CEJ), de cujo conselho pedagógico era membro. Quando me preparava para sair de casa, vejo em directo na televisão as imagens das torres a arder, o que muito me preocupou, tendo acabado por chegar atrasado a essa reunião. Pouco tempo depois, recebo uma mensagem da minha mulher no telemóvel a dizer que o Pentágono estava a arder e que a Casa Branca já tinha sido evacuada, o que aumentou os meus receios de uma situação muito grave. Não quis, no entanto, perturbar a reunião, que prosseguiu até ao fim. Quando acabou, os funcionários do CEJ informaram-nos de que ainda havia um avião no ar, cujo destino se desconhecia. Dirijo-me de carro para o meu escritório de advogado, onde tenho um aparelho de televisão, e durante o percurso oiço na rádio a notícia da queda da primeira torre. Quando finalmente  chego ao escritório, estava toda a gente a assistir pela televisão ao que se passava e, por isso, pouco mais se conseguiu trabalhar nesse dia. Ali assistimos em directo à queda da segunda torre, ao desespero dos habitantes de Nova Iorque com o impacto dos ataques e à informação da queda do último avião na Pensilvânia. À noite tinha uma reunião partidária na sede do PSD, com a presença do Dr. Durão Barroso, a qual também não foi cancelada. Mas o tema passou a ser as consequências para o país e para o mundo do que tínhamos acabado de presenciar. Nessa altura, fomos informados que, recaindo a suspeita sobre Bin Laden, a Aliança do Norte tinha iniciado nessa noite um ataque aos taliban, antecipando-se já à previsível resposta americana. Vinte anos depois, os americanos deixaram o Afeganistão e esse país parece ter recuado à mesma situação que vivia nesse dia fatídico. “Pouco mais se conseguiu trabalhar”

Menezes Leitão, depoimento enviado pelo próprio

21/09/2021 23:33:04