Rui Abrunhosa Gonçalves, diretor-geral da Reinserção e Serviços Prisionais

O cargo esteve vago dois dias. Depois da saída de Rómulo Mateus, obrigado pelo Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) a voltar aos tribunais, a ministra Catarina Sarmento e Castro escolheu para o cargo de Diretor-geral da Reinserção e Serviços Prisionais um psicólogo forense que é presença habitual nos jornais e em programas televisivos: Rui Abrunhosa Gonçalves, professor da Universidade do Minho e especialista em psicologia da Justiça e em agressores.

Apesar de ser essencialmente um académico, Abrunhosa Gonçalves não é exatamente um estranho no meio prisional: o primeiro emprego a sério que teve, ainda nos anos 80, foi como técnico educador na cadeia de Paços de Ferreira, a mais "pesada" do norte do país. A experiência durou três anos e meio, antes do ingresso na Universidade do Minho e no meio académico.

Há pouco menos de um ano, numa reação a um artigo publicado no JN, defendia que "os reclusos por violência doméstica deviam ser obrigados a frequentar programas de reabilitação", por se tratar de um “problema de saúde pública que afeta muitíssimo as vítimas” e a sociedade. Porém, "não há técnicos de reinserção em número suficiente no sistema prisional. As últimas contratações aconteceram há vários anos, o corpo profissional está envelhecido e há muitos estabelecimentos prisionais onde o programa para agressores não existe”, diz. Segundo dizia Rui Abrunhosa Gonçalves, "há agressores a quem o tribunal impõe a frequência de consultas de reabilitação que, devido à falta de recursos humanos, não estão a receber tratamento".

A escolha por um não-magistrado poderá ter sido motivada pelo mesmo motivo que esteve na base da recusa do CSMP em prolongar o mandato de Rómulo Mateus, que tinha substituído o também procurador, Celso Manata, a falta de juízes e procuradores nos tribunais. Rómulo Mateus deixou o cargo no último dia de julho, Abrunhosa Gonçalves terá aceitado o convite nesta terça-feira, dois de agosto, depois de um contacto da ministra.

O Expresso contactou o novo diretor-geral, que confirmou o convite e a resposta positiva, mas recusou-se a fazer mais declarações. A tomada de posse ainda não está marcada.

13/08/2022 09:26:29