Padre denunciou 12 sacerdotes por suspeitas de pedofilia. Metade ainda está no activo

Um padre denunciou 12 sacerdotes por suspeitas de pedofilia no seio da Igreja Católica. A informação é avançada pelo jornal Expresso que dá ainda conta de que metade dos visados permanece no activo. Alguns dos casos remontam aos anos 90.

De acordo com a reportagem, que vai ser publicada na sexta-feira, mas que foi avançada no Jornal da Noite da SIC, o padre que avançou com as denúncias é uma “pessoa importante no seio da Igreja”, que “acompanha estes casos” desde os anos 80. De acordo com o mesmo canal televisivo, o sacerdote referido na reportagem encheu vários dossiers com informações que foi recolhendo durante vários anos. Dois desses dossiers contêm informações de casos de pedofilia que terão começado nos anos 90.

O padre, cuja entidade não é revelada na investigação, terá reunido vários testemunhos de vítimas que afirmam terem sido assediadas e abusadas em casas paroquiais, carros e numa casa no Algarve. Um dos jovens que sofreu abusos por parte de um destes sacerdotes acabou por se suicidar, aos 15 anos, após ter revelado os crimes de que terá sido vítima aos pais.

A família apresentou queixa ao Patriarcado de Lisboa, que transferiu o padre para uma paróquia da capital, onde voltou a ser acusado da prática dos mesmos crimes. A Igreja acabou por o colocar noutra paróquia, num país europeu. Em 2003 foi aberta uma investigação pelo Patriarcado e pelo Ministério Público, mas o caso acabou por ser arquivado.

Ao todo, o padre relatou 12 casos de abusos sexuais contra menores praticados por membros da Igreja Católica, metade dos quais ainda permanece no activo. Um dos sacerdotes acusado de pedofilia chegou a ser alvo de extorsão por parte dos pais de uma das vítimas, tendo a família exigido dinheiro em troca do silêncio.

Face às mais recentes informações, o Presidente da República afirmou que é “incumbência das autoridades públicas prosseguirem com a sua investigação”.

Marcelo Rebelo de Sousa apelou ainda “a todos aqueles que podem participar e denunciar [casos de pedofilia] independentemente da iniciativa das entidades públicas”. Depois de as denuncias serem avançadas, “compete ao Ministério Público prosseguir a investigação ou não, conforme os elementos que tem. O papel da Justiça é investigar”, concluiu.

13/08/2022 10:22:42