Cerco aperta na China. Um “like” numa crítica ao Governo é crime - Renascença

A China, que nos últimos tempos tem sido palco de vários protestos contra as medidas restritivas de Covid-19, muitos convocados através das redes sociais, está a endurecer as leis e a apertar as regras de controlo sobre o que cada um escreve, pensa ou faz através da internet.

As novas regras de controlo das redes sociais da Administração Estatal do Ciberespaço chinês entram em vigor no dia 15 de dezembro.

Os “likes” e emojis são equiparados a comentários, significando que um simples clique no botão “gosto” de uma qualquer publicação fica vinculado ao conteúdo dessa publicação, podendo ser punido tal como o autor desse texto, caso o seu conteúdo seja considerado ilegal ou, de alguma forma, problemático.

O novo regulamento determina ainda que os fornecedores de redes sociais, plataformas de trocas de mensagens e outros sites com possibilidade de publicação de comentários devem “estabelecer e melhorar os sistemas de gestão de segurança da informação para a revisão e gestão dos comentários dos seguidores, inspeção em tempo real, eliminação de emergência, relatórios e outros sistemas de gestão da segurança da informação, descoberta e eliminação atempada de informação ilegal e indesejável, e apresentação de relatórios ao Ministério da Informação e Comunicação”.

Todos os sites relacionados com informação que tenham a possibilidade de interação por parte dos utilizadores são obrigados a ter uma “equipa de auditoria e edição” preparada para monitorização em tempo real e eliminação de conteúdos de acordo com os mesmos critérios definidos.

O que não se sabe ainda é quais serão as consequências para quem ousar violar as regras e fazer comentários. Já os operadores que não cumpram o regulamento enfrentam uma série de avisos, multas, suspensão de comentários ou, mesmo, a suspensão total do serviço.

Cantão, a maior cidade do sul da China, voltou a registar confrontos violentos entre manifestantes e agentes da polícia, depois de um fim de semana marcado por manifestações em todo o país contra a estratégia ‘zero covid’.

Os confrontos, que se seguem a protestos em Xangai, Pequim e em outros lugares, eclodiram quando a China regista um número recorde de casos de Covid diariamente e as autoridades de saúde, inclusive na região sul de Guangzhou, anunciaram um ligeiro afrouxamento das restrições.

Os vídeos mostram manifestantes a arremessar garrafas de vidro e barras metálicas contra as forças de segurança, que surgem a marchar em fileiras, protegidos por escudos antimotim transparentes.

As cenas foram registadas no distrito de Haizhu, que foi alvo nas últimas semanas de confrontos violentos entre grupos de trabalhadores migrantes, oriundos de zonas rurais pobres, e as forças de segurança. O distrito está sob um bloqueio altamente restritivo há várias semanas, no âmbito da estratégia de ‘zero casos’ de Covid-19 vigente na China.

Um outro vídeo mostra dezenas de indivíduos algemados a serem detidos pela polícia.

A China aumentou a presença policial nas principais cidades, na sequência de manifestações que ocorreram no último fim de semana contra as medidas altamente restritivas de prevenção contra a Covid-19.

As manifestações foram suscitadas por um incêndio mortal, num prédio na cidade de Urumqi, no noroeste do país. Os manifestantes disseram que os bloqueios no bairro, no âmbito das medidas de prevenção epidémica, atrasaram o acesso do camião dos bombeiros. Os moradores também não conseguiram escapar do prédio, cuja porta estava bloqueada.

No entanto, os protestos, numa escala inédita no país desde as manifestações pró-democracia de 1989, são apenas o culminar de meses de crescente descontentamento popular.

Ao abrigo da política de ‘zero casos’, a China impõe o bloqueio de bairros ou cidades inteiras, a realização constante de testes em massa e o isolamento de todos os casos positivos e respetivos contactos diretos em instalações designadas, muitas vezes em condições degradantes.

05/02/2023 00:32:24