Morreu histórico resistente antifascista com fortes ligações ao Porto

Mário Brochado Coelho morreu, esta sexta-feira, aos 84 anos. Foi um resistente antifascista, advogado e forte figura do ativismo cívico na cidade do Porto.

Nasceu em Vila Nova de Gaia, em 1939, mas os seus estudos acabariam por afastar Brochado Coelho do grande Porto, com parte inicial da sua licenciatura em Direto a ser feita em Coimbra. Viria a ser expulso da instituição, decisão motivada por posições políticas das quais nunca abdicou. Acabaria por retomar mais tarde o curso na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Distanciado do Porto numa fase inicial da sua vida, a sua marca, atividade profissional e associativa foi cunhada principalmente na cidade. Ainda em ditadura, participou no Cineclube do Porto, na Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto (Cooperativa Unicepe), tendo também fundado a Cooperativa Cultural Confronto.

Após o 25 de abril, Mário Brochado Coelho deu apoio jurídico a associações de moradores do grande Porto, acabando por ser uma das suas bandeiras a luta pela habitação social que se repercutiu no envolvimento no Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL) no Norte. Ficou também famoso pela representação dada no caso do assassinato do padre Max e da estudante Maria de Lurdes em abril de 1976, tendo lutado durante mais de 20 anos na justiça para que a acusação dos responsáveis fosse levada a cabo.

Fundador e dirigente da UDP, foi por duas vezes eleito deputado municipal no Porto, em 1977 e 1981. Entre 1982 e 2002 Mário Brochado Coelho foi consultor jurídico dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento do Porto, tornando-se de seguida no Provedor do Cliente deste organismo até 2006.

Foi homenageado em 2015 com a Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro da Câmara Municipal do Porto. Já tinha antes recebido a Ordem da Liberdade das mãos da Presidência da República.

04/03/2024 22:26:03