Violência no namoro: em 2023, foram apresentadas mais de sete queixas por dia

Mais de sete denúncias de violência no namoro chegaram diariamente à Polícia de Segurança Pública (PSP) e à Guarda Nacional Republicana (GNR) ao longo do ano passado. O balanço é apresentado ao Expresso esta quarta-feira, quando se assinala o “Dia de São Valentim”. No total, em 2023, as autoridades receberam quase três mil queixas (2860).

Foram mais as denúncias feitas à GNR (1497) do que à PSP (1363) e, enquanto a primeira força de segurança registou um ligeiro aumento no número comparativamente a 2022 (1421), a segunda teve uma significativa diminuição (2109).

“Injuriar, ameaçar, ofender, agredir, humilhar, perseguir ou devassar a intimidade são formas dessa violência. Verificam-se ainda alguns comportamentos, principalmente entre casais mais jovens, que também se traduzem em situações de violência”, pode ler-se na nota enviada pela PSP, que recusa que a redução do número signifique há menos queixas e que o crime continue a acontecer, mas com menos denúncia.

“A predisposição das vítimas, bem como de testemunhas ou outros intervenientes, para denunciar este tipo de criminalidade, tem aumentado. Este fator tem sido crucial, na nossa visão, para diminuir as cifras de crimes não denunciados. As pessoas estão cada vez mais conscientes e sensibilizadas para este crime, contribuindo para um conhecimento mais célere de situações de violência e possa auxiliar a vítima numa fase mais precoce.”

A larga maioria das queixas apresentadas junto da PSP dizem respeito a namoros em curso (916 situações) e as vítimas são sobre tudo mulheres (78%) entre os 25 e 44 anos (segue-se a faixa etária “menos de 25 anos” e, por fim, a “mais de 45”).

 

“São reconhecidos os efeitos negativos na formação da personalidade e referências sociais das crianças quando expostas à violência em ambiente familiar. A replicação desse comportamento em qualquer vínculo afetivo e, em concreto, nas relações de namoro, são um indício da necessidade de intervenção especializada”, pode ainda ler-se. Nos últimos cinco anos, desde 2019, chegaram à PSP cerca de 10 mil denúncias de violência no namoro.

 

Mais Vítimas

No caso da GNR, o aumento é reduzido (mais 76 casos), mas o dado quase duplica quando o indicador é “número de vítimas”. Ou seja, no ano passado foram identificadas 434 vítimas, enquanto em 2022, foram 244. Em ambos os anos a idade média da vítima é de 24 anos. “O impacto deste tipo de violência em idades precoces pode ser a aceitação desta violência no futuro, comprometendo as vítimas envolvidas, as suas famílias e a sociedade no seu conjunto”, refere a GNR.

Esta quarta-feira assinala-se o “Dia dos Namorados”, data em que autoridades fazem um balanço anual sobre o crime de violência no namoro para sensibilizar para a causa. Também é apresentado o Estudo Nacional sobre Violência no Namoro 2024, realizado pela UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta e financiado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

11/08/2026 12:24:56