Justiça com direitos - Marquês: crimes sem castigo?

 

A Caixa emprestou mais de duzentos milhões a Vale do Lobo. Crédito perdido. Dinheiro de todos.

Esta semana deverão prescrever os primeiros crimes de corrupção do processo. Em junho, os imputados a Sócrates e a Vara.

Ninguém foi julgado. Ninguém absolvido.

Ninguém condenado. E o processo pode morrer de velho.

Prescrição não é absolvição. Não é inocência. É só isto: o Estado teve tempo. E não julgou.

Vinte e um arguidos.

Cento e dezassete crimes. Trezentas mil folhas.

Quatrocentas horas de escutas. Doze anos depois.

Não falhou a defesa. Não falharam os arguidos.

Falhou o sistema. Falhou um Estado que há décadas trata a Justiça como parente pobre dos direitos fundamentais. Sem meios. Sem tempo.

E quem paga? O contribuinte. O cidadão paga duas vezes: pelo dinheiro perdido e pela justiça que tarda.

Mas há lição. Investir na Justiça. Dividir megaprocessos em blocos julgáveis. Decidir em tempo útil. Para que o tempo sirva quem espera.

Que se apaguem os crimes. Mas não a memória. Nem a lição.

Que se apaguem os crimes. Mas não a memória. Nem a lição.

 

Por João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados

In Correio da Manhã 

10/05/2026 06:14:40