Justiça com direitos: Red pill: dominar não é amar
Há uma palavra que os filhos repetem e os pais não conhecem.
Nasceu num filme. Hoje é a senha de um mundo digital onde se ensina aos rapazes: a mulher é adversária, o respeito é fraqueza, o desprezo é lucidez. A “blue pill” fica para os ingénuos, para quem ainda acredita no amor.
O algoritmo faz o resto.
Um vídeo abre dez. Dez abrem mil. Em casa, ninguém sabe o que o ecrã ensina
De Justiça. O rapaz que aprende aos catorze que dominar é amar leva essa lição para o primeiro namoro. Controla, decide, exige. E a rapariga ao lado dele aprende que isto é amor.
Anos depois, alguns destes rapazes sentam-se no banco dos réus. A violência contra as mulheres já não começa apenas na rua. Começa num quarto, diante de um telemóvel. Quando chega ao tribunal, já é tarde.
Os tribunais punem. Não educam. Educar é tarefa das escolas, das famílias e das plataformas que lucram com o ódio e fingem não ver.
Empurram uma geração a escolher entre duas pílulas.
A liberdade é não precisar de nenhuma.
João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados
Artigo de opinião publicado no Correio da Manhã, em 18 de maio de 2026