Podcast "Direito à Justiça "Herman José: "Os grandes erros da minha vida cometi-os por não ter procurado um advogado"
Podcast "Direito à Justiça "Herman José: "Os grandes erros da minha vida cometi-os por não ter procurado um advogado"
Na celebração dos 100 anos da Ordem dos Advogados, o podcast Direito à Justiça juntou na Aula Magna, em Lisboa, o humorista Herman José, a apresentadora Fátima Lopes e o ator Rui Melo numa reflexão sobre o papel dos advogados e o que representam para os clientes.
Foi perante uma plateia repleta de advogados, na Aula Magna, em Lisboa, que no passado dia 12 de junho (dia em que a Ordem dos Advogados assinalou o centenário) se refletiu sobre o que se quer da advocacia, o que distingue os melhores profissionais e que desafios para o futuro.
Numa edição especial do podcast Direito à Justiça , o humorista Herman José partilhou a sua experiência pessoal. Considerou que os advogados têm um papel fundamental na vida de um artista e contou aquele que considerou ser o seu primeiro grande erro: “Achamos que é dispensável, até meio estranho isso de ter advogado, e dá trabalho, e para quê? Não vale a pena. Depois, a vida ensina que os advogados não são mais que o filtro que temos de ter com o mundo que nos rodeia em todos os aspetos.”
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“Os grandes erros da minha vida cometi-os precisamente por não ter procurado advogado, por orgulho, por provincianismo e, se calhar, porque nós, a certa altura, começamos a gostar tanto de nós próprios, que achamos que somos autossuficientes”, sublinha Herman José.
Convidada a partilhar também a sua experiência, Fátima Lopes afirmou ter contactado já com advogados diferentes pelas mais diversas razões pessoais e profissionais. Há uma qualidade que diz é fundamental para um cliente.
“É muito, muito importante nós sabermos escolher o advogado com quem queremos fazer equipa na vida. Acho que a empatia é uma grande ferramenta e ela é muito importante. Obviamente que, em algumas situações, é preciso um certo grau de frieza e de distanciamento, porém, ter alguma frieza não quer dizer não ter empatia.”
E como será com a Inteligência Artificial (IA), que foi apontada como sendo um dos maiores desafios no futuro?
A apresentadora afirmou que “a Inteligência Artificial é uma ferramenta, ou pode ser, uma ferramenta muito útil, inclusive para a advocacia, mas importa legislar sobre o seu uso seu uso”, acrescentando que acredita que não vai substituir “um olhar frente e frente numa conversa”.
Também o ator Rui Melo , encenador da peça “Sr. Engenheiro, Alegadamente um Musical”, considera “fundamental balizar o seu uso, podendo acabar com tarefas burocráticas que roubam tempo importante à missão de ser advogado, principalmente quando se fala em pilhas de processos”.
Advogados na TV? “Essencial, maravilhoso e profundamente didático”
Herman José vê a presença de advogados em painéis explicativos nas televisões como sendo “essencial, maravilhoso e profundamente didático”.
“É essencial que, já que vários órgãos de soberania vivem em silêncio, e escondidos debaixo de um grande diáfano de mistério, que haja depois uma classe como os advogados que vem explicar as coisas, em voz alta, e até fazer-nos abrir os olhos para certas realidades que são essenciais, que, finalmente, passamos a conhecer”, afirma o humorista.
A presença do advogados no espaço mediático tem outro aspeto positivo. “Há uns anos a Justiça era completamente um bicho de sete cabeças, ninguém se atrevia a falar de nada sequer”, recorda.
Já Rui Melo lembra que se trata de uma profissão “que existe para servir o povo".
"Se encontrarmos forma, seja através da televisão, seja através de podcasts, de aproximarmos o direito às pessoas, então acho que isso é extraordinário. Acho que é importante”, afirma.
E o que deve afinal mudar na advocacia? O ator é rápido a apontar o dedo: “as cartas que vocês escrevem, perco interesse a meio, a eloquência é admirável, mas estão a falar com quem não domina. Palavras e frases como lá vêm escritas às vezes levam a maiores confusões que esclarecimentos”. Posição subscrita por Fátima Lopes.
Herman José é claro na resposta: “eu gostava muito que a intensidade e a qualidade do escrutínio que a classe dos advogados sofre constantemente fosse alargada aos restantes agentes da justiça pública”