124 detidos. Zero consequências

Lisboa. 19 de fevereiro. Noite. Mais de cem indivíduos organizados, vestidos de negro, avançam para Alvalade com martelos, ferros, uma arma branca e balaclavas. Não vão ver futsal. Vão à guerra.

A PSP detém 124 — 63 do Benfica, 61 do Sporting. Pelo menos dois feridos. Caos. Numa capital europeia.

Todos libertados nessa noite com simples TIR. A moldura penal da participação em rixa não permite prisão preventiva. Quem leva um martelo para agredir outro ser humano dorme em casa nessa mesma noite.

A PSP foi exemplar e pediu melhorias na lei. A FPF pediu reunião urgente ao Governo.

Levaria lá o seu filho? Não peço justiça populista. Peço coerência. Quem organiza uma emboscada armada põe vidas em risco. Se a lei não o reflete, qualifique-se o crime quando há armas, premeditação e organização. A Ordem está pronta a sentar-se à mesa para essa revisão.

A 24 de fevereiro há novo dérbi. A lei não mudou. Os detidos estão livres. E um TIR não vai travar quem já planeia o próximo ataque.

Quando alguém se magoar a sério, não digam que ninguém avisou.

João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados

Artigo de opinião publicado no CM online, em 23 de fevereiro de 2026 

 

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