A Justiça que chega tarde
A dois dias do 8 de Março, o Observatório da UMAR apresentou os dados de 2025: vinte e seis mulheres mortas. Vinte e dois femicídios. Todos cometidos por homens.
Há um dado que deveria envergonhar o sistema de Justiça: em oitenta por cento dos casos havia violência prévia conhecida.
Denunciada, até. A pergunta não é por que razão acontece. É porque é que, sabendo, não se impediu.
Queixas que morrem nas secretarias. Medidas de afastamento que ninguém fiscaliza. Tribunais de família que não falam com tribunais criminais. Vítimas cuja proteção depende da sorte.
A Ordem dos Advogados quer ser parte da solução. Tem insistido em apoio jurídico para todas as vítimas, em todo o país, com consultas de proximidade. Porque nenhuma mulher pode ficar sozinha perante o sistema que devia protegê-la.
Não basta legislar. É preciso que a lei chegue a tempo.
Setecentas e nove mulheres não voltam. Não chegou.
João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados
Crónica pulicada no CM online, em 9 de março de 2026