Bater em quem cura
Dez condenados. Penas até oito anos de prisão efetiva. Por espancarem dois enfermeiros e um segurança nas urgências de Famalicão.
O Tribunal de Guimarães recusou a tese do desespero. Provou plano: doze familiares distribuíram tarefas, forçaram a porta e bateram com socos, pontapés e uma barra de soro. Uma enfermeira ficou um ano e meio sem trabalhar. Tudo para que uma doente fugisse à triagem.
Foram a um hospital por uma vida. E quase tiraram a de quem ali a salva.
Não é caso isolado. Em 2023 houve 3.429 episódios de violência contra profissionais do SNS, quase mais mil do que no ano anterior. Um recorde.
Que país pede a alguém que cuide de nós e depois o deixa sangrar no chão de um hospital?
E ainda isto: os factos são de 2022, a sentença chega agora. Justiça que tarda dois anos protege menos do que devia.
A defesa vai recorrer, é seu direito. A última palavra não está dita. Mas a mensagem já está escrita.
Desde abril de 2024, agredir quem nos trata é crime público. Quem entra numa urgência para bater encontrará, do outro lado, a força do Estado de Direito. Não a impunidade.
3.429 episódios de violência contra profissionais do SNS
João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados
Artigo de Opinião publicado no CM, em 01 de junho de 2026