Justiça à venda ou só ilusão?

O caso Spinumviva voltou a pôr tudo em pratos limpos: hoje qualquer um pode vender consultas, redigir contratos ou cobrar dívidas sem ser advogado. Surgem anúncios tentadores de serviços jurídicos rápidos e baratos — basta seguir um perfil, clicar num site ou receber um panfleto. Parece solução fácil, mas onde está o seguro, a responsabilidade, a ética que sempre se exigiu à advocacia? Muitos prometem mundos e fundos e quando algo corre mal, desaparecem ou ignoram as consequências.

 

Multiplicam-se os consultores “milagrosos”, sem supervisão, sem responder pelos erros, sem regras que garantam proteção mínima ao consumidor. O cidadão que confia neste novo mercado acaba, muitas vezes, abandonado à própria sorte: poupa agora, paga caro depois. A ilusão é perigosa — justiça low-cost não é justiça, é risco. Precisamos de informação séria e fiscalização apertada. Porque justiça com competência e responsabilidade nunca pode ser um luxo, mas um direito de todos. Justiça não é para experimentar, é para confiar.

 

João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados

 

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07/12/2025 22:15:59