Justiça com direitos: 3 e 5 anos. Vivos porque um padeiro parou

Lá a caminho do trabalho. Olhou. Parou.

Aproximou-se. Algo não estava bem.

Esse minuto evitou uma tragédia. À volta, valas fundas, invisíveis até para um adulto.

Quantas vezes passamos sem olhar? Quantas tragédias acontecem porque ninguém quis ver?

A proteção dos mais vulneráveis não cabe só à PSP, à GNR, aos tribunais. É dever de todos. Quem critica o sistema esquece-se de que faz parte dele. O Estado não está só na farda. Está também em cada cidadão que decide parar.

A omissão de auxílio é crime. Antes disso, é falha cívica.

Olhar para o lado é escolher não ver. E quando não vemos, não há lei que chegue a tempo.

Não há tribunal que repare o que se deixou acontecer.

A cidadania afirma-se num gesto simples: ver, parar, agir.

Hoje passamos sem olhar.

Amanhã pode ser o leitor caído à beira da estrada. Ou os seus.

À espera de um olhar que decida parar.

Não olhar para o lado também é proteger.

Quem critica o sistema esquece-se de que faz parte dele.

 

João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados

Artigo de opinião publicado no CM, em 25 de maio de 2026

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