Justiça com direitos: A cama mais cara do País

O meu pai teve alta. Precisava de cuidados continuados. Andei três, quatro meses à procura. As unidades que tinham vaga eram caras demais. As que se podiam pagar estavam cheias. Morreu antes de eu lhe encontrar lugar.

 

Quem paga? Poucos. Um lar privado custa, em média, 1852 euros por mês. A pensão média de velhice é de 699. A lei obriga os filhos a ajudar; muitos não têm com quê. Em maio, 3.500 pessoas continuavam no hospital depois da alta, sem terem para onde ir. Nos cuidados continuados, 3004 esperavam vaga em julho, mais 57% do que em dezembro. E o Governo admite cobrar uma taxa a quem recusar vaga, mesmo a hora e meia de casa.

 

Sexta-feira, em Estremoz, perto da aldeia onde ele nasceu, falei disto numa conferência da Ordem. A lei do maior acompanhado existe, mas faltam as condições para a cumprir. Quem já não pode assinar um contrato fica no hospital até o tribunal nomear quem o faça.

 

Um dia de hospital custa ao Estado 383 euros. Uma semana custa mais do que um mês de lar. O Estado não poupa. Manda esperar. O meu pai não chegou ao fim da espera.

 

A lei obriga os filhos a ajudar; muitos não têm com quê.

 

João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados

Artigo de opinião, publicado no CM a 14 de setembro de 2026

15/10/2026 15:24:04