Justiça com direitos: "Ranço colonialista"?
Brasil é independente desde 1822 e ninguém quer tutela de ninguém. Quero advogados melhores, venham de onde vierem.
A Ordem anunciou que não retoma a reciprocidade com o Brasil e que aposta na formação. A reação nas redes diz muito do tempo que vivemos. «Ranço colonialista». «Complexo de superioridade».
«Xenófobo». De um lado e do outro, o insulto substitui o argumento. Lê-se que os portugueses são «banguelas que vivem nas tascas». Lê-se que os brasileiros «vêm fazer bagunça». Isto não é debate. É ódio de toga.
Recuso os dois extremos. Nunca prometi reabrir o acordo: a Ordem rompeu-o em 2023, e o Parlamento revogou a norma que o permitia. O que reabri foi o diálogo. Dialogar não é capitular. Nem humilhar.
O caminho não é fechar portas. É exigir a todos a mesma deontologia: lei portuguesa, segredo profissional, publicidade séria.
A deontologia não nos separa. Iguala-nos. E a formação que reforçamos prepara todos para a cumprir.
São mais de quatro mil os advogados brasileiros inscritos em Portugal. Integrá-los não é concessão. É dever. São colegas. Quem jura defender a Justiça não tem bandeira. Tem um jura-
Quem jura defender a Justiça não tem bandeira.
João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados
Artigo de opinião publicado no CM, em 22 de junho de 2026