Justiça com direitos Velhice sem sol nem filhos
Mais de metade dos residentes tem sinais de demência. Só 30% com diagnóstico formal. Os outros? Invisíveis. A maioria dos profissionais nunca teve formação para cuidar deles. Improvisam. Amam, mas andam às cegas.
99% dos lares têm jardins. Apenas um terço deixa pessoas com demência
Proteger não é prender. Não é esquecer. Não é fingir que não existem
usá-los. O sol existe do outro lado da janela. As árvores também. Mas não para eles. 15% recebe visitas frequentes. Os restantes esperam. E morrem a esperar.
Não somos os únicos: Alemanha, França, Itália enfrentam o mesmo. Mas os Países Baixos criaram aldeias onde há mais autonomia que fechaduras. Onde se vive, não apenas se aguarda.
Defendemos há anos a proteção social do idoso. Mas proteger não é prender. Não é esquecer. Não é fingir que não existem porque a memória já não funciona.
Este retrato exige resposta. E nós? O que fazemos enquanto eles morrem sós, sem sol, sem filhos?
João Massano. Bastonário da Ordem dos Advogados