Ninguém ressuscita 

Sexta-feira Santa. IC1. Uma família alemã viajava de férias. Pai, mãe e dois filhos. O mais novo tinha 12 anos. Morreram os quatro numa colisão frontal.

Nesta Páscoa, morreram 18 pessoas nas estradas. Cinco só nas últimas 24 horas. O mesmo número que morreu na Páscoa inteira do ano passado. Mais de dois mil acidentes em pouco mais de uma semana. 42 feridos graves. 668 feridos ligeiros.

Mas não foi só nas estradas. A PSP registou 363 ocorrências de violência doméstica. 17 detenções.

A Páscoa é tempo de família. Para muitos, foi tempo de medo.

Há uma violência que mata no asfalto. E outra que mata dentro de casa. Uma deixa destroços na berma. A outra esconde-se atrás de portas fechadas. Ambas matam. Ambas podiam ser evitadas.

Não faltam leis. Faltam consequências. E falta a coragem de olhar para a violência como aquilo que ela é: uma escolha. Um copo a mais é uma escolha. Uma mão levantada é uma escolha.

Quando a resposta chega pelo tribunal, já chegou tarde.

Portugal precisa de menos luto. E mais responsabilidade.

 

João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados

Artigo de opinião publicado no jornal Correio da Manhã, em 6 de abril de 2026

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