Trabalhadores invisíveis

𝗦𝗲𝗶𝘀 𝗱𝗮 𝗺𝗮𝗻𝗵𝗮̃. 𝗗𝗼𝗶𝘀 𝗵𝗼𝗺𝗲𝗻𝘀 𝗽𝗲𝗻𝗱𝘂𝗿𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝘁𝗿𝗮𝘀𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼 𝗰𝗮𝗺𝗶𝗮̃𝗼 𝗱𝗼 𝗹𝗶𝘅𝗼, 𝗻𝘂𝗺𝗮 𝗿𝘂𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗿𝗲𝗶𝘁𝗮 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝘃𝗶𝗹𝗮 𝗽𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝘂𝗲𝘀𝗮. 𝗖𝗮𝗹𝗰̧𝗮𝘀 𝗿𝗲𝗳𝗹𝗲𝘁𝗼𝗿𝗮𝘀. 𝗡𝗮𝗱𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗲𝗹𝗲𝘀 𝗲 𝗼 𝗮𝘀𝗳𝗮𝗹𝘁𝗼. 𝗩𝗶-𝗼𝘀 𝗱𝗼 𝗰𝗮𝗿𝗿𝗼, 𝗮 𝗽𝗮𝗹𝗺𝗼𝘀 𝗱𝗼 𝘁𝗿𝗮̂𝗻𝘀𝗶𝘁𝗼.

Levam o que deitamos fora. Antes de a cidade acordar. Com chuva, com gelo, com a pressa dos outros atrás. Haverá trabalhadores de segunda?

A Constituição diz que não. O artigo 59.º garante a todos, sem exceção, trabalho em condições de segurança e saúde. A Lei n.º 102/2009 obriga a proteger quem trabalha. Câmaras e concessionárias não estão dispensadas. Não é benevolência. É lei. E a lei não distingue fardas.

184.607 acidentes de trabalho em 2025. 136 mortes. Portugal no topo europeu da sinistralidade laboral. Atrás de cada número, uma casa onde alguém não voltou a entrar.

Estes homens levantam-se antes de todos para que a cidade funcione. Amanhã, quando o seu contentor amanhecer vazio, lembre-se: alguém arriscou a vida por isso. Pagamos a fatura da recolha.

O risco correm-no eles.

Não há trabalhadores invisíveis.

Há olhares que escolhem não ver.

 

João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados

Artigo de opinião, publicado no Correio da Manhã em 6 de julho de 2026

Leia o artigo: https://www.cmjornal.pt/opiniao/colunistas/justica-com-direitos/detalhe/trabalhadores-invisiveis

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