Activistas angolanos agradecem Medalha de Ouro à Ordem dos Advogados

Activistas angolanos agradecem Medalha de Ouro à Ordem dos Advogados

Os activistas angolanos José Marcos Mavungo e Luaty Beirão reuniram com a Senhora Bastonária, Dra. Elina Fraga, agradecendo todo o trabalho e contributo da Ordem dos Advogados para a sua libertação, bem como a atribuição da Medalha de Ouro da Ordem dos Advogados.

O Conselho Geral da Ordem dos Advogados Portugueses deliberou em 29 de Abril de 2016, atribuir a "Medalha de Ouro da Ordem dos Advogados Portugueses" a Luaty Beirão e, na pessoa dele, a todos/as os/as ativistas pelo seu elevado mérito, pela luta e relevante ação na defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e cidadãs, com plena identificação com os ideais de justiça, liberdade e defesa do Estado de Direito Democrático que norteiam a ação desta Ordem.

A cerimónia de entrega decorreu a 19 de Maio, na Sessão Solene de Comemoração do Dia do Advogado, realizada em Setúbal.

 

Na reunião de agradecimento à Ordem dos Advogados intervieram a Senhora Bastonária, Dra. Elina Fraga, o Director Executivo da Amnistia Internacional, Pedro Neto, e os activistas Luaty Beirão e José Marcos Mavungo.

 

Excertos do discurso de agradecimento à Ordem dos Advogados do activista dos Direitos Humanos José Marcos Mavungo

  

“É com particular satisfação que, em nome dos activistas sociais de Angola, tomo a palavra neste honroso e emocionante encontro para manifestar o nosso profundo agradecimento à Ordem dos Advogados (OA) pelo empenho institucional manifestado a favor da causa dos activistas dos direitos humanos presos nestes últimos dois anos em Angola.”

“Honrou-nos, igualmente, o facto de nos ter ser atribuído, no âmbito das celebrações do Dia do Advogado em Setúbal, a Medalha de Ouro da Ordem dos Advogados Portugueses, o que nos surpreendeu pela positiva. E digo, surpresos, ao conferir-nos tão valiosa honraria, por que não esperávamos o reconhecimento desta instituição a humildes activistas sociais que somos.”

“Neste momento, de alegria, felicidade e gratidão, devo lembrar Cícero, orador romano, que dizia “nenhum dever é mais importante que a gratidão” e, assim, dizer que os gestos da OA para com a causa dos activistas sociais em Angola nestes últimos dois anos ficarão registados de forma indelével na memória dos nossos corações, como algo mais espesso do que a moldura de um quadro.”

“O advogado também é activista dos Direitos Humanos. Sofre as mesmas perseguições e humilhações que estes, se age como tal. É perseguido se defende as vítimas das injustiças. Tem muitos obstáculos e dificuldades se levar a sério o exercício da sua profissão e for favorável à promoção da Democracia, do Estado de Direito e dos Direitos Humanos.”

“ Por esta razão, a intervenção da OA no caso dos ativistas sociais presos nestes últimos dois anos é motivo de muita esperança. Pese embora os enormes desafios que os ativistas dos Direitos Humanos em Angola enfrentam e que se podem resumir num colapso da governação e do sistema judiciário, permanecemos esperançosos e acreditamos que o bom senso acabará por imperar fazendo, enfim, com que o otimismo da vontade se sobreponha ao pessimismo da razão, sobretudo quando, como agora, o irracionalismo mais absurdo tem cavalgado sem freio nem contrapeso.”

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28/04/2017 09:19:17