DGS revela as linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas
A DGS divulgou este sábado o estudo que apoiou o Governo no plano de desconfinamento. Principais indicadores propostos são a incidência cumulativa a 14 dias por 100 mil habitantes, o Rt (reprodução da infeção em tempo real) e o número de camas ocupadas em UCI por doentes covid-19.
As camas de medicina intensiva que existiam no início da pandemia devem estar libertadas da atividade associada à covid-19 e nas que abriram depois a sua ocupação deve ser inferior a 85% para garantir uma resposta a esta doença.
A medida faz parte do estudo "Linhas vermelhas - Epidemia de infeção por SARS-CoV-2/covid-19", um documento hoje divulgado, que apoiou o Governo no plano de desconfinamento, realizado por peritos da Direção-Geral da Saúde, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, da Escola Nacional de Saúde Pública, das faculdades de Ciências da Universidade de Lisboa e do Porto e da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a Covid-19
Para os autores do estudo, "a linha orientadora do impacto da epidemia sobre a prestação de cuidados de saúde parte do pressuposto que a atividade hospitalar em medicina intensiva associada à covid-19" não deve prejudicar a restante atividade.
"O impacto da epidemia no sistema de saúde é transversal a todas as áreas (saúde pública, cuidados de saúde primários e hospitais). No entanto, os cuidados em medicina intensiva são a linha final do sistema de saúde e um indicador de pressão sobre o sistema em que a oferta tende a ser inelástica, não acompanhando a procura", lê-se no documento publicado no 'site' da DGS.
Assim, os peritos defendem que as Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) que existiam no início da pandemia, em março 2020, devem estar libertadas de atividade associada à covid-19.
As que abriram depois dessa data, e que podem permanecer abertas sem perturbar a atividade não covid-19, não devem ter uma taxa de ocupação com doentes covid-19 superior a 85% para "poder garantir uma resposta a esta doença", o que significa que o total de internamentos em UCI no continente deve permanecer abaixo dos 245.